Rascunhos II

Nesses últimos dias, vi no facebook o compartilhamento daquela imagem do Robin recebendo um tapa do Batman. Dessa vez, a frase que estava em cima do Robin era: “Essa país não tem cultura”. Essa imagem me suscitou diversas reflexões e algumas revoltas. No meu mural no facebook eu escrevi o seguinte texto:

 

“Esse país não tem cultura” é apenas um vício de linguagem para demonstrar com exagero alguma insatisfação. Acho que mais triste do que essa afirmação seria a “Tal cultura representa mais o Brasil”. Essa afirmação eu já ouvi e li diversas vezes na UFMT, no SESC, nos bares e muitos musicistas de Rondonópolis são adeptos desse pensamento. Me lembro da última Sexta Cultural que eu fui no Sesc. No cartaz e na apresentação do grupo estava “Música brasileira: Por todos os cantos do Brasil”, mas o grupo só tocou samba, maracatu e forró e contribuindo mais uma vez no inconsciente coletivo que samba, maracatu e forró são os que mais representam o Brasil. Outro exemplo é a Bienal da UNE que todos os anos têm como tema o forró e o maracatu. É só isso? Não tenho nada contra esses estilos, mas são por causa desses desavisados que muitos não sabem o que pertence ao patrimônio cultural do Brasil. A partir dos anos 80, o Rock’n’roll e o Heavy Metal passaram a ser considerados como cultura brasileira. O rap também está consolidado como cultura brasileira. O siriri, cururu e o rasqueado cuiabano também pertencem à cultura brasileira. Muitos não sabem que o Gótico está presente na cultura brasileira desde o século XIX. Tenho tristeza em verificar que muitos nunca nem ouviram falar em Torquato Neto, Nicolas Behr, Chacal e nem sabem o papel que eles tiveram na cultura brasileira. Não reconhecem nem as brilhantes obras de José Mojica Marins. Pois é, a lista é muito maior do que os Sesc’s, universidades e bares pensam…

 

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Ouvir esse álbum para acompanhar o sono, provoca as mais deliciosas sensações. O mundo começa a ser dissolvido em frações de segundos enquanto somos devorados por diversos urros oníricos com a combinação de cores que existiam apenas na infância.

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Anathema

Anathema

Magritte é inspirador!! Estou lendo muito sobre as obras dele e conhecendo imagens geniais!!! Muitos suspiros…

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Um pensamento sobre “Rascunhos II

  1. Ótimo texto.
    Gostaria de acrescentar, apenas, o funk e hip-hop (entre outros, claro).
    Não sei como é Brasil afora, mas, em São Paulo, as “classes sociais mais baixas” acabaram… trazendo para essas formas de cultura para meios mais elitizados – e estes vêm incorporando-nas a sua própria cultura – apesar de haver repúdio por parte da maioria. É comum escutá-los em nossa cidade – a não ser que vc (geral) seja um “cara de bairro”, “de condomínio”… daqueles que não se abrem para o mundo. Acho que é o caso do pessoal do SESC e Bienal haha.

    Magritte é ótimo, meu favorito dos surrealistas; Pink Floyd… sem comentários! Excelente.

    Adoro seu blog, parabéns!
    Abraço

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