Suspiros confessionais

Ainda processando a informação que servi de inspiração para uma pintura… É realmente algo inusitado, não imaginava que eu iria servir de inspiração para uma criação artística e muito menos que eu iria receber um reconhecimento de um artista de outro país.

 Ontem eu conversei no Chat com o Mauricio Díaz e ele me perguntou o que me levou ao contato de uma vanguarda que surgiu na segunda década do século XX. A minha resposta foi: “O profundo tédio que sinto em Rondonópolis”. Foi uma resposta espontânea… A cidade que ao mesmo tempo me sufoca, me oferece recursos que incita a minha capacidade criativa. Rondonópolis é uma quimera adoecida que ainda será desvelada, desconstruída e humanizada.

 Certa vez me falaram que o Museu Rosa Bororo é um “Museu do Índio”. Levei um susto ao ouvir isso. Esse museu é uma das lamentações da cidade: um apanhado de coisas organizado lá. Sem nenhum foco, sem nenhuma referência aos indígenas, um local que não desperta a curiosidade em ninguém. Há apenas uma sala média para exposições e alguns cubículos com materiais das primeiras empresas que surgiram na cidade. Esse museu está localizado no centro da cidade, em uma rua muito movimentada. Apesar de estar perto da população, está distante de nossas vidas.

 Rondonópolis é a cidade que eu tento negar, mas que sempre me acompanha. A minha relação com essa cidade é rimbaudiana.

 Certa noite etílica, acompanhado de minha futura esposa Vanusa, conversávamos sobre a minha maneira de Ser Poeta. Foi uma angústia ouvir que sou uma pessoa distante das pessoas. Mais angustiante ainda foi ouvir que sou distante até dos meus colegas de faculdade. Para ela, um poeta deve estar sempre próximo das pessoas. Não discordo! Apesar de que mesmo se eu quisesse seria impossível ser um poeta do povo, já que meus versos são difíceis de serem palatáveis. Mas caramba! Como pude deixar ficar distante de pessoas que estudam comigo desde 2011? Tentei argumentar para ela que eu sinto um profundo mal-estar por viver em Rondonópolis, mas todas as explicações eram levianas. Muitas vezes o meu silêncio não é timidez, mas sim intensos momentos de introspecção, o que também não justifica a minha distância.

 Sou aquele que não acrescenta em nada, porém também não subtrai. Apático e quixotesco sem nenhuma contribuição. “Distante” e “inacessível” talvez sejam essas as palavras que me representam hoje. Por isso me pergunto para quem eu escrevo. Um poeta escreve sempre para o Outro. No momento não há esse Outro. Escrevo para os ventos levarem algumas palavras para a eternidade, mas muitas palavras se perdem no meio do caminho, outras permanecem imóveis e outras brigam entre si. O esquecimento é o destino de todos os distantes.

No Brasil a cultura de comprar livros é incipiente, de comprar livros de poesia então, é quase inexistente. Acho que a internet construiu um novo modelo de ser poeta. A poesia deve estar na rede, e a pessoa sendo realmente um poeta. Infelizmente, isso também contribui para o estereótipo de poeta: aquele que carrega o estigma de Jesus. Não sou a favor desse paradigma. Acredito que todos os poetas sabem a sua maneira de atuação. Talvez o meu seja realmente o distanciamento e a negação do contemporâneo. Negar o contemporâneo sendo o pioneiro a lançar um livro digital em Rondonópolis? A contradição é o meu alento.

On The Road (2012)

On The Road (2012)

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2 pensamentos sobre “Suspiros confessionais

  1. A contradição é o mal do nosso século meu amado. Angústia nossa doença, como a gripe, vai e volta, mas nunca se cura. A distância é a forma de comunicação mais eficaz nesse tempo de emoções fugazes. E sabe o que é pior: não tem mais volta. E a realidade de uma cidade como Rondonópolis é tão aflitiva quanto qualquer outra…

  2. Estimado Rodrigo .Por que te acongoja recuerda avanti sempre avanti.Escribe expresate el vulgo nunca entiende nada.no conoce nada y por lo tanto estas cosas estan vedadas para ellos solo las almas selectas pueden apreciar el talento poetico,artistico,lirico etcTe recuerdo una frace del Quijote de la mancha.”Deja sancho que los perros ladren pues indica que vamos avanzando”.saludos
    Mauricio Diaz J.

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