Os artistas e as universidades: Liberdade de Criação?

As universidades sempre valorizaram as manifestações culturais e foi, consequentemente, palco de surgimento de movimentos artísticos. Em um rápido contexto histórico, no Brasil do século XIX, a Faculdade de Direito instalada no antigo Convento de São Francisco, foi cenário de uma grande escola literária: O Ultrarromantismo. Foi também na universidade que Salvador Dalí conheceu Buñuel e Federico García Lorca. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, década de 1970, surgiu a Geração Mimeógrafo. Era em universidades que Austregésilo Carrano Bueno divulgava o seu livro “Canto dos Malditos”.

Diversas bandas de Rock também surgiram ou tocaram pela primeira vez em uma universidade. Foi um período de efervescência cultural e de inquietação que marcou a História, a Psicologia, as Letras, as Artes, que mostravam mecanismos de sobrevivências diante um cotidiano entediante, sufocante e inóspito.

A arte sempre foi uma aliada de intervir na rotina, impactar e de suavizar o sufoco da sociedade e das instituições. Há diferentes formas de intervenção ou de interferência para humanizar um ambiente: pode ser a literária através de matérias-primas do inconsciente e com isso, promover desenhos em versos. Há quem busca na música, as canções de suas dores. Há quem busca no grafite condições de interação e denunciar o desconforto de estar em um espaço de pouca comunicação, reflexão e companheirismo.

Nos últimos anos, parece que a arte só existe nos livros e na internet. As universidades que outrora prezavam esse contato visceral com os poetas e músicos, deram espaço para uma instituição com parcas manifestações culturais que apenas geram mão de obra qualificada e barata. A Cultura, que era um pilar de sustentação das universidades, foi trocado pelas certezas da racionalidade. Impossível não lembrar uma frase do poeta Chacal: “Cultura sem Educação é entretenimento insosso. Educação sem Cultura é formatação para o mercado de trabalho”. As universidades devem resistir perante as tentações do Capitalismo. É necessário prezar as suas raízes e incentivar as expressões livres do âmago gritante de um sujeito.

Se nem as universidades oferecem espaço para a Liberdade de Criação, onde mais os artistas poderão se expressar livremente? Já que apreciamos a comunicação visual, por que as paredes dos blocos estão sempre em cores neutras? Uma parede pode ser também uma excelente mensageira de angústias. Diferente em uma folha de papel, a escrita não está morta quando é colocado em uma parede, por isso que o grafite impõe a nossa atenção. O grafite denuncia, escandaliza, enfrenta, zomba e nos faz pensar ou nos emocionar. Tudo o que provoca a emoção e nos leva à reflexão, possui valor Estético e Cultural, desenvolve a inteligência, incita a capacidade de socialização, amplia o conhecimento e a sensibilidade.

Acredito na necessidade de não afastarmos os artistas das universidades. São parceiros que deram certos ao longo da História. Se a arte é impactante, serve para repensarmos algumas questões. Se deixarmos o Capitalismo romper de vez a ligação da arte com as universidades, seremos apenas mãos de obras e consumidores. As tentativas do Capitalismo em desprezar a Emoção e a Estética, revela que a próxima tentativa será com a ruptura de conhecimento científico das universidades. A genialidade da frase do Chacal atinge uma precisão incrível e me dou a liberdade de acrescentar um pensamento: Educação sem Cultura é instituição manicomial.

7456_265239613618712_53171180_n

Obs.: Esse artigo será publicado também, segunda-feira, no site Olhar Direto!!!

Um encontro

Ontem aconteceu um encontro informal dos escritores de Rondonópolis na ALCAA

Uma imagem:

Reunião informal 1

Conversa livre com: Fátima Dalava, Hermélio Silva, Jerry Mill, Orlando Sabka, Rodrigo Fernandes (eu!), João de Jesus Silva Gomes, João Luiz da Luz Hellrigl, Jackson Aguirre, George Ribeiro, Patrick Carpen, Ailon do Carmo.

Há mais escritores em Rondonópolis! Todos estão convidados a participar, escritores do meio literário, acadêmico, jornalístico, blogs, leitores, apreciadores…

Conheçam as páginas dos escritores presentes no encontro:

http://www.derondon.com.br/

http://derondon.com.br/uploads/EncontroArtes_HermelioSilva_Miolo.pdf

http://toquenabolamt.blogspot.com.br/

https://www.facebook.com/pages/Escritores-de-Rondon%C3%B3polis-e-F%C3%A3s-da-Literatura/515645345112305

http://poesiasecontosmt.blogspot.com.br/

http://web.georgeribeiro.com.br/

http://www.amazon.com/Angelas-Lost-Turtle-Patrick-Carpen/dp/0988315009 

O Mistério à enésima potência

Os dias tem sido surrealistas…

 

Pintura de Dali

Pintura de Dali

 

Uma poesia do recém graduado em Letras, Joe Sales:

Gerundista
O movimento da vida é rápido e constante.
E a distância nasce aí: a saudade começando.
Com isso nós sentimos vontade de continuar,
processamos a vida naquilo falamos.
Por isso estarei escrevendo esse poema.
Um poema que vai estar falando das coisas,
Criando outras, sugerindo, contradizendo.
Um poema que não tem necessidade de
Ser chamado de poema: pois não é, se fosse
estaria poetizando a mesmice que é a vida da gente.
Estaria debochando do preconceito disfarçado de moral
Estaria rindo das pessoas sem graça
Das desgraças que ocorrem nesse habitual cotidiano.
O meu poema, que não tem pretensão de assim o ser, é
só um amontoado de palavras que não tem valor algum.
O meu despoema é um breve momento de insensatez,
em que eu estarei contando as coisas mais inúteis e frívolas
de minha falta de talento. A vida gira em torno desse movimento.
Tem gente que acha o gerundismo pecado, eu admiro e vejo beleza,
contemplo nele a poesia do movimento. O infinitivo tem cheiro de morte.
joe

 

.

Ontem aconteceu no bloco de Psicologia/UFMT, uma interferência de humanização do campus. Música e poesia à favor da arte, cultura, entretenimento e integração.

.

.

31 de maio, sexta-feira, foi um legítimo desmaio! Foram caminhadas sem rumo pela UFMT. O poeta parecia um zumbi! Caminhava, colava cartazes em murais, distribuía os jornais Plástico Bolha e voltava a caminhar. Para a surpresa desse jovem, a sua caminhada foi interrompida por uma pessoa que o reconheceu da reportagem “Escritor de Rondonópolis lança livro de poesias surrealistas” no A Tribuna do dia 19 de maio. A conversa foi incomum, essa pessoa tentava ensinar ao poeta uma técnica de evocação dos ventos. O poeta ficou muito tocado pela conversa e se lembrará com muito carinho daquele momento e quem sabe, até tentar evocar alguns ventos.

 

dali-e-gala1