Orgânico Dub e a “Segunda de Carnaval”

No feriado do dia 3 de março, tive uma surpresa: o evento “Segunda de Carnaval” que aconteceu na praça Brasil, organizado por músicos em parceria com a Alendart Tattoo & Piercing. A tarde na praça, contou com a apresentação de Orgânico Dub, projeto do Jean Medeiros de música influenciada por ritmos jamaicanos. Em formato de música eletrônica, Jean discotecou Dub, Rap, Hiphop com o canto de Luiz Góes, Vinicius Comparini e Heitor Gomes.

O evento de apropriação da praça me fez perceber outra Rondonópolis, cujo espaço sociabilizado e social se tornou palco de manifestações artísticas nas canções e nas relações simbólicas com o ambiente. Achei também interessante ver as pessoas andarem de Skate em volta dos cantores e os expectadores, chupando sorvete e tomando tereré, sentindo-se à vontade e confortável com a comunicação e identidade reinventada no cenário urbano.

Percebi um ritmo forte e as letras com alto teor de concentração. As músicas, quilométricas, produziram ressonâncias em mim e explorei sensações distintas. Não me considero um praticante de Rap, mas não posso deixar de admitir que as batidas e as letras rimadas ou não, exerceram influências em mim, na compreensão da cidade que resido e, até mesmo, de estar mais próximo da Cultura local. Foi nesse dia, que eu percebi que o Rap também reinventa e cria palavras.

Durante a apresentação, fiquei inquieto com o discurso “cultura de rua”. Para mim, todas as artes são de rua e podem estar ou ser de todos os outros lugares, sem restrição ou limitação. Precisei pesquisar sobre essa expressão para conseguir compreender o que significa essa afirmativa. Segundo Hinkel (2008), Azevedo & Silva afirma de que a “Cultura de Rua é a denominação reivindicada para suas práticas, que, ao menos ao nível do discurso, não aspiram aos salões aristocráticos, nem ligam a mínima para quem inventou a palavra cultura, porque, antes de ser um conceito, para eles é um modo de vida e expressão. Eles a empregam num sentido que transcende a sua utilização antropológica mais ampla, para definir uma opção estética, política e social”.

Os pensamentos, em forma de canção, revelaram os desconfortos, os protestos, os encantos, a sutileza de quem mora em Rondonópolis, no contexto da classe média, com o olhar para a periferia. Apesar de que eu estava sentado, curtindo a apresentação na sombra, o show parecia ser uma conversa. Houve vários momentos que eu senti alguns de meus gritos serem musicalizados, que me demonstrou que a praça foi também o espaço de compartilhamento de sentimentos.

Com isso, senti uma enorme satisfação de participar da “Segunda de Carnaval”. Foi um evento que considerei como inusitado, pois jamais havia assistido a um show na praça e mesmo morando em Rondonópolis, foram poucas vezes que passei uma tarde naquele espaço agradável para estar, descansar, desfrutar e se divertir. 

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