Protesto contra o CAPS AD 3?

Um grupo de moradores dos bairros Novo Horizonte e Moradas de Parati protestaram, no dia 30 de abril, contra a construção do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD 3). Numa recente reportagem publicada no jornal A Tribuna, os moradores afirmaram não serem contra o CAPS AD III na cidade, no entanto, são contra a construção ao lado de instituições de Educação Infantil e de Ensino Fundamental.

Em Rondonópolis, há outros CAPS, entre eles o CAPS AD II, ao lado da praça da Saudade, numa região da cidade com diversas residências e comércios. As pessoas que moram ou trafegam por ali não sofrem nenhum risco ou prejuízo por causa dos usuários atendidos pela instituição.

É necessário, também, lembrarmos que pouco é falado nas mídias sobre a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e esse desconhecimento pode ter levado a esse ato.  A RAPS integra o Sistema Único de Saúde (SUS), cuja operacionalização faz parte da Política Nacional de Saúde Mental, presente desde a Atenção Básica da saúde aos leitos em Hospitais Gerais. O CAPS faz parte dessa rede e é uma instituição que atende as pessoas que fazem uso problemático de substâncias psicoativas com a proposta da Redução de danos, visando a sua reinserção social e a ampliação dos direitos de cada usuário do sistema de saúde.

O protesto contra a construção de um CAPS está na contramão de diversas manifestações que exigem melhorias nas políticas de saúde pública. Estigmatizar os usuários dos CAPS e apontá-los como possíveis criminosos, como os moradores desses dois bairros fizeram, é de extrema intolerância e viola o direito ao respeito do cidadão.

Vale acrescentar de que a maioria das pessoas que recebem o cuidado e atenção dos serviços do CAPS não possui o histórico de crimes, são apenas pessoas que fazem uso de substâncias, sendo estas muitas vezes legalizadas pela sociedade, como é o caso do álcool que, inclusive, os seus usuários constituem a maior demanda da instituição.

Tal manifestação é apenas um sinal de que a população não conhece o serviço multiprofissional dos trabalhadores de saúde mental; pois o poder público pouco faz para a população conhecer essas atividades. Nesse sentido, vemos vereadores a apoiar o protesto. Ao invés de contribuir com a desinformação dos moradores, esses representantes da câmara poderiam informá-los sobre os benefícios e avanços que o CAPS irá trazer tanto para o bairro quanto para toda a cidade de Rondonópolis, ou ao menos convidá-los a conhecer os serviços que essa instituição oferece à cidade.

Resumindo, é importante que os moradores apoiem os avanços nas políticas de saúde pública que Rondonópolis recebe. De preferência, sem medos ou preconceitos, pois a implantação de CAPS não oferece risco à população; pelo contrário, o que coloca a sociedade em risco é não oferecer atendimento às pessoas que fazem uso problemático de álcool e outras drogas.

“Alegrai-vos no Senhor”: a igreja contra o bem-estar social

Recentemente, ocorreu o evento “7º Alegrai-vos no Senhor” – evento evangelístico organizado pela Igreja Assembleia de Deus de Rondonópolis –, em duas etapas, sendo a segunda etapa do evento realizada entre os dias 14 e 17 de fevereiro na Avenida Amazonas.

Segundo os noticiários, o “Alegrai-vos” é uma opção para as pessoas que não querem participar do Carnaval. Para isso acontecer, a igreja fecha a Avenida Amazonas, prejudicando os moradores daquela região e as pessoas que precisam circular naquela área da cidade.

Tudo indica que o “Alegrai-vos” está acima de nossa Constituição e a Prefeitura e a Secretaria de Trânsito fecham os olhos para esse tipo de excesso. Com isso, torna-se necessário lembrar os realizadores do evento e o poder público de que Rondonópolis é um município também regido pela Constituição, o que faz nossa cidade estar inserida no Estado laico.

Fechar a rua para um evento religioso fere os direitos dos cidadãos ao impossibilitá-los de ir e vir em sua rua e de estarem na tranquilidade de seus lares sem as pregações de uma religião da qual não fazem parte, o que configura a festa em um evento opressor.

Não se deve argumentar que tal evento serve para contribuir com a palavra e o nome de Deus, uma vez que o bem-estar social é quando há respeito pelas diferentes crenças (em nosso município, há representantes de diversas outras religiões, bem como há pessoas que não pertencem a nenhuma). Onde está o direito do cidadão, quando um evento reprime a população, jogando “goela abaixo” o fechamento de uma rua?

Então, o desrespeito que a igreja comete em relação aos princípios básicos da democracia, por conta da realização daquele evento, não pode ser ignorado e nem justificado de maneira covarde, alegando-se que é em nome de Deus. Tenho certeza de que este texto será um pequeno passo para que, nos próximos anos, os nossos “representantes” não fechem os olhos diante dessa ação, e para que o povo não se silencie com essa atitude da igreja Assembleia de Deus.

Branco ou Tinto ou o Sujeito ressentido

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Em dezembro de 2013, a banda Branco ou Tinto (B.O.T.) lançou o seu novo álbum intitulado de “50 segundos”, que conta com o total de dez canções. Composta por Welliton Moraes no vocal e guitarra, Marcus Tubarão na Bateria e Thiago Araújo no baixo, a banda traz a melodia combinada com a literariedade das letras que possibilitam ao ouvinte explorar diversas sensações.

Sou um fã da banda e as músicas do novo álbum provocam-me sensações que até hoje ainda não sou capaz de compreender. Por ser um admirador de B.O.T., decidi compartilhar com os leitores uma nova possibilidade de interpretar as músicas. Assim, ao ler as letras com mais atenção, percebi a presença do ressentimento em todas as músicas, porém, para esta resenha, o meu foco está nas canções de títulos provocativos: Presente de Grego e O Amor Caiu em Desuso.

Sendo o ressentimento uma mágoa nunca superada ou esquecida de algum prejuízo real ou não, deflagra-se o processo de vitimização e o ressentido, diante de sua certeza de superioridade moral, passa a sofrer silenciosamente. Nos estudos sobre o ressentimento de Kehl como referência, Izabel Cruz, afirma que o ressentido não deseja vingança e, sim, a justiça, pois a certeza de sua pureza moral impede-o de assumir um desejo de vingança ou se comprazer nele. A vingança dissolveria o processo de culpabilização e acusação do outro, porém, o ressentimento é o afeto próprio daquele que nunca se vinga e por isso mesmo a chama do ressentimento permanece sempre acesa, alimentada pelo ódio secreto que se manifesta em forma de lamentos sem fim.

Nessa perspectiva, ao ouvirmos Presente de Grego, deparamo-nos com as indagações que explicitam as definições de ressentimento: “Toda essa raiva aqui dentro vai passar?”, “Enxugue essas lágrimas falsas porque eu não posso mais te esperar”, “Já me feri o bastante e não tenho uma gota sequer pra sangrar”. Qual seria então o Presente de Grego, já que a letra manifesta um sujeito que no auge de seu mal-estar, expressa a sua dor íntima com o máximo exagero? Acredito que esse “presente” seja a eterna ruminação das dores que um outro causou e que, por isso, a salvação e a busca tornaram-se impossíveis.

Os questionamentos nas letras de O Amor Caiu em Desuso são semelhantes ao que já foi desvelado. Salvo a exceção dos versos perturbadores: “Pra que nos preocuparmos? Se nem mesmo a miséria ou as tragédias não chocam mais” em seguida do refrão: “Eu acho que o amor caiu em desuso”. No conforto do lugar da queixa, o ressentido goza com as acusações e da não luta de superar o mal que lhe foi feito. Todas as tragédias chocam, porém, o sujeito da música não as percebe por causa de seu egocentrismo de não ter a sua dor no centro do universo. Não compreende também que o amor não está fora de moda, apenas mudou as suas maneiras de representação.

Então, o Rock’n’Roll de B.O.T. proporciona muito mais do que momentos especiais. As músicas, além de nos fazerem sentir as ressonâncias no coração, ainda apresentam questões para estudos e compreensão da Cultura. Em manifestação artística, as canções selecionadas proporcionaram-me reflexões para aprofundar os conteúdos que aguardavam um novo sentido ou interpretação.

Orgânico Dub e a “Segunda de Carnaval”

No feriado do dia 3 de março, tive uma surpresa: o evento “Segunda de Carnaval” que aconteceu na praça Brasil, organizado por músicos em parceria com a Alendart Tattoo & Piercing. A tarde na praça, contou com a apresentação de Orgânico Dub, projeto do Jean Medeiros de música influenciada por ritmos jamaicanos. Em formato de música eletrônica, Jean discotecou Dub, Rap, Hiphop com o canto de Luiz Góes, Vinicius Comparini e Heitor Gomes.

O evento de apropriação da praça me fez perceber outra Rondonópolis, cujo espaço sociabilizado e social se tornou palco de manifestações artísticas nas canções e nas relações simbólicas com o ambiente. Achei também interessante ver as pessoas andarem de Skate em volta dos cantores e os expectadores, chupando sorvete e tomando tereré, sentindo-se à vontade e confortável com a comunicação e identidade reinventada no cenário urbano.

Percebi um ritmo forte e as letras com alto teor de concentração. As músicas, quilométricas, produziram ressonâncias em mim e explorei sensações distintas. Não me considero um praticante de Rap, mas não posso deixar de admitir que as batidas e as letras rimadas ou não, exerceram influências em mim, na compreensão da cidade que resido e, até mesmo, de estar mais próximo da Cultura local. Foi nesse dia, que eu percebi que o Rap também reinventa e cria palavras.

Durante a apresentação, fiquei inquieto com o discurso “cultura de rua”. Para mim, todas as artes são de rua e podem estar ou ser de todos os outros lugares, sem restrição ou limitação. Precisei pesquisar sobre essa expressão para conseguir compreender o que significa essa afirmativa. Segundo Hinkel (2008), Azevedo & Silva afirma de que a “Cultura de Rua é a denominação reivindicada para suas práticas, que, ao menos ao nível do discurso, não aspiram aos salões aristocráticos, nem ligam a mínima para quem inventou a palavra cultura, porque, antes de ser um conceito, para eles é um modo de vida e expressão. Eles a empregam num sentido que transcende a sua utilização antropológica mais ampla, para definir uma opção estética, política e social”.

Os pensamentos, em forma de canção, revelaram os desconfortos, os protestos, os encantos, a sutileza de quem mora em Rondonópolis, no contexto da classe média, com o olhar para a periferia. Apesar de que eu estava sentado, curtindo a apresentação na sombra, o show parecia ser uma conversa. Houve vários momentos que eu senti alguns de meus gritos serem musicalizados, que me demonstrou que a praça foi também o espaço de compartilhamento de sentimentos.

Com isso, senti uma enorme satisfação de participar da “Segunda de Carnaval”. Foi um evento que considerei como inusitado, pois jamais havia assistido a um show na praça e mesmo morando em Rondonópolis, foram poucas vezes que passei uma tarde naquele espaço agradável para estar, descansar, desfrutar e se divertir. 

Memorial Vila Aurora: Arte, Cultura e Patrimônio

A avenida Lions Internacional não é apenas um ponto de encontro da burguesia de Rondonópolis, mas, também, serve de endereço para o espaço público Memorial Vila Aurora, local de perpetuação da memória dos cidadãos. O cemitério funciona como um “museu a céu aberto” e reflete os valores estéticos, culturais, simbólicos, religiosos e as suas relações com a morte e a vida através dos túmulos, esculturas, vasos, flores, fotografias.

O infortúnio de perder alguém especial transforma o mundo em um espaço pobre, deserto, vazio e insípido. Como forma de homenagear a memória e de elaborar o luto, a pessoa começa a decorar o túmulo ou a gaveta funerária. A decoração evidencia os processos de subjetivação da ausência. A capacidade criativa revela que o silêncio cemiterial oferece recursos existenciais para expurgar o desamparo.

Alguns túmulos são cobertos de azulejos outros são apenas blocos de cimentos. Também há os jazigos que funcionam como pequenas capelas. Em uma rápida visita ao cemitério da Vila Aurora, é possível verificar os túmulos que são preservados, os que foram abandonados, os que são religiosos e as suas diferenças de classes sociais.

Há um túmulo cercado por uma grade verde e por arbustos com flores vermelhas. Dentro, há 10 coqueiros grandes. O espaço é todo coberto por esses coqueiros e arbustos. A dor torna-se relativizada ao elaborar um ambiente de harmonia e paz para acolher o morto. Segundo a Maria Elizia Borges (2011), essa prática de usar vegetação para decorar túmulos é comum em cemitérios evangélicos.

Algumas esculturas fazem parte do acervo do Memorial, desde figuras do Cristianismo aos seres alados assexuados. Os anjos encontram-se em posição de oração, como se estivessem a velar pelo espírito e a guiá-lo a outro mundo. Uma escultura de Jesus despertou a minha atenção: ele está curvado e com a cabeça baixa, posição de oração ou tristeza. É a representação da desolação de perder a pessoa amada. Ao passo que a família se conforta com a crença de que Jesus abençoa, a escultura também desvela que a saudade deixou um silêncio até no âmago de Cristo.

O uso das cores também retrata a necessidade de suavizar a angústia da morte. A cor é um dos elementos que geram o bem-estar. As cores acalmam, afagam, produz sensações e elaboram um ambiente que talvez seja de evocação de compreensão do luto. As cores estão presentes nas pinturas dos túmulos, dos jazigos e nas flores que são, com muita frequência, artificiais. As flores artificiais são usadas para presentear o familiar e como forma de representar a memória: eternamente bela e colorida.

Encontram-se objetos devocionais também nas gavetas funerárias. As gavetas funerárias, símbolo da improvisação e da superlotação do Memorial Vila Aurora, oferece um espaço que incita a espontaneidade do artista anônimo. Esse espaço de tamanho padrão é o “pequeno altar” ou “vitrine” em que são expostas uma variedade de artefatos.

Segundo Borges (2008) os parentes-montadores fazem agrupamentos espontâneos de alguns artefatos e possuem o objetivo de materializar o espaço e transformá-lo em um local sagrado. Os parentes-montadores das gavetas funerárias tornam-se cenógrafos, pintores, artesões, com o propósito de embelezar o recinto. Essa ação criativa, sensível e imaginativa contribui para o processo de elaboração do luto e de viver com a perda. O diálogo do simbólico com o emotivo de um local acolhedor e intimista é perceptível ao verificarmos os toques particulares de cada gaveta.

Estar localizada em uma avenida de boemia, manifesta, a ambiguidade existente na cidade. Uma avenida que ignora a morte a favor dos prazeres, em contrapartida que é local de velórios e enterros. O cemitério também demonstra uma sociedade secularizada que se encontra religiosa perante a morte.

O Memorial Vila Aurora constrói identidades e subjetividades que funciona como significante da sociedade diante da materialização do maior enigma da humanidade: a morte. A arte funerária carrega sentimentos de saudade, dor, amor e evoca a eternidade da devoção. A institucionalização da memória é a nossa referência de civilidade e de testemunho do passado e do contemporâneo refletidos na cultura rondonopolitana. O Memorial Vila Aurora é, por excelência, um patrimônio histórico e cultural de Rondonópolis.

Referências Bibliográficas

BORGES, Maria Elizia. IMAGENS DA MORTE: monumentos funerários e análise dos historiadores da arte. XXVI Simpósio Nacional de História, ANPUH. São Paulo: USP, 2011.

__________. Olhar e contraolhar as narrativas da estética popular, da memória e do afeto nas gavetas funerárias no Brasil. ANPAP, 2008.

ELUSTA, Halima Alves de Lima. VISITA AO MUSEU DE PEDRA: O Cemitério da Saudade de Campinas – SP. 2008. 164 f. Dissertação (Mestrado em Cultura Visual) – Faculdade de Artes Visuais, Universidade Federal de Goiás, Goiânia. 2008.

MENDES, Cibele de Mattos. Práticas e representações artísticas cemiteriais do Convento de São Francisco e Venerável Ordem Terceira do Carmo: Salvador (1850 – 1920). 2007. 336 f. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) – Escola de Belas Artes, Universidade Federal da Bahia, Salvador. 2007.

SILVA, Eduardo. O Cemitério de Santa Cruz como patrimônio cultural. 2010. 118 f. Dissertação (Mestrado em Patrimônio Cultural e Sociedade) – Universidade Da Região De Joinville, Joinville. 2010.

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Algumas fotos do Memorial Vila Aurora:

Os artistas e as universidades: Liberdade de Criação?

As universidades sempre valorizaram as manifestações culturais e foi, consequentemente, palco de surgimento de movimentos artísticos. Em um rápido contexto histórico, no Brasil do século XIX, a Faculdade de Direito instalada no antigo Convento de São Francisco, foi cenário de uma grande escola literária: O Ultrarromantismo. Foi também na universidade que Salvador Dalí conheceu Buñuel e Federico García Lorca. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, década de 1970, surgiu a Geração Mimeógrafo. Era em universidades que Austregésilo Carrano Bueno divulgava o seu livro “Canto dos Malditos”.

Diversas bandas de Rock também surgiram ou tocaram pela primeira vez em uma universidade. Foi um período de efervescência cultural e de inquietação que marcou a História, a Psicologia, as Letras, as Artes, que mostravam mecanismos de sobrevivências diante um cotidiano entediante, sufocante e inóspito.

A arte sempre foi uma aliada de intervir na rotina, impactar e de suavizar o sufoco da sociedade e das instituições. Há diferentes formas de intervenção ou de interferência para humanizar um ambiente: pode ser a literária através de matérias-primas do inconsciente e com isso, promover desenhos em versos. Há quem busca na música, as canções de suas dores. Há quem busca no grafite condições de interação e denunciar o desconforto de estar em um espaço de pouca comunicação, reflexão e companheirismo.

Nos últimos anos, parece que a arte só existe nos livros e na internet. As universidades que outrora prezavam esse contato visceral com os poetas e músicos, deram espaço para uma instituição com parcas manifestações culturais que apenas geram mão de obra qualificada e barata. A Cultura, que era um pilar de sustentação das universidades, foi trocado pelas certezas da racionalidade. Impossível não lembrar uma frase do poeta Chacal: “Cultura sem Educação é entretenimento insosso. Educação sem Cultura é formatação para o mercado de trabalho”. As universidades devem resistir perante as tentações do Capitalismo. É necessário prezar as suas raízes e incentivar as expressões livres do âmago gritante de um sujeito.

Se nem as universidades oferecem espaço para a Liberdade de Criação, onde mais os artistas poderão se expressar livremente? Já que apreciamos a comunicação visual, por que as paredes dos blocos estão sempre em cores neutras? Uma parede pode ser também uma excelente mensageira de angústias. Diferente em uma folha de papel, a escrita não está morta quando é colocado em uma parede, por isso que o grafite impõe a nossa atenção. O grafite denuncia, escandaliza, enfrenta, zomba e nos faz pensar ou nos emocionar. Tudo o que provoca a emoção e nos leva à reflexão, possui valor Estético e Cultural, desenvolve a inteligência, incita a capacidade de socialização, amplia o conhecimento e a sensibilidade.

Acredito na necessidade de não afastarmos os artistas das universidades. São parceiros que deram certos ao longo da História. Se a arte é impactante, serve para repensarmos algumas questões. Se deixarmos o Capitalismo romper de vez a ligação da arte com as universidades, seremos apenas mãos de obras e consumidores. As tentativas do Capitalismo em desprezar a Emoção e a Estética, revela que a próxima tentativa será com a ruptura de conhecimento científico das universidades. A genialidade da frase do Chacal atinge uma precisão incrível e me dou a liberdade de acrescentar um pensamento: Educação sem Cultura é instituição manicomial.

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Obs.: Esse artigo será publicado também, segunda-feira, no site Olhar Direto!!!