Aos amigos leitores

Post para encerrar o Absinto Surrealista. Estou agora investindo num novo blog: https://rodrigoffbrito.wordpress.com

Mais artigos interessantes e a poesia sempre presente!!!
Conheça o blog, continue acompanhando as minhas postagens, as minhas ideias, meus poemas e outros conteúdos que aparecerão. Aguardo todos lá. Grande abraço e muito obrigado a todos que acessaram esse querido absinto.

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Lembranças…

O mês de agosto será de novas experimentações poéticas. Parece frase batida do Caio Fernando Abreu sobre os meses, mas mesmo sendo ainda o sétimo dia de agosto, esse mês tem sido interessante. A dissertação está caminhando bem e com boas leituras; escreverei o prefácio de um livro de poemas e ainda letras para as músicas de uma banda de Doom Metal. Todas essas me deixaram muito felizes, mas o compromisso que me surgiu para segunda-feira, dia 10, esse tem mexido muito comigo, me deixando feliz e emocionado.

Me ocorreu diversas lembranças da época de adolescência e fui atrás de algumas relíquias: meus cds, dvds e revistas de Heavy Metal. Essas preciosidades de 2004/2005 tão bem guardadas que até o cheirinho de novo ainda estão presentes. Apesar que não tirei foto, tenho também os dvds “Still Reigning” do Slayer, “Eletric eyes” do Judas Priest e “Evil or Divine” do Dio. Naquela época, apesar de já existir o download, não era tão fácil baixar shows. O Youtube nem existia. Era lindo e mágico! Comprar produtos de uma banda é algo muito bonito, faz eu me sentir inserido na banda e retribuir aos músicos o carinho que sinto pela banda. Me lembro também que achei o cd do Metalium insuportável. Hahah…

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Nesse exato momento me lembrei que o Roberto Piva reflete sobre a importância que os gibis tiveram para a sua formação pessoal e intelectual. Comigo as histórias em quadrinho também foram fundamentais. Tenho a saga completa em mangá dos Cavaleiros do Zodíaco. Era muito interessante acompanhar a história. Quando chegou então na tão falada saga Hades, então… Foi um delírio! Uma surpresa atrás de surpresa. Tristeza foi quando terminou, acho que em 2002.
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Período de muita leitura de mangás e ao som de Heavy Metal. Wasp, Angra, Shaman e Blind Guardian foram as primeiras bandas que eu fiquei fã. Angra e Shaman, putz… Quantas histórias… Mais de uma década apreciando as músicas que ficam mais lindas a cada ano. 

Lembranças…

Prólogo

Resolvi publicar alguns textos que eu escrevi em 2013. Estavam guardados dentro de uma garrafa lá no hemisfério norte. Tive que resgatá-los, pois parecia que a corda iria ser esticada se o café não fosse consumido o mais rápido possível. É necessário deixar muito claro que os peixes comem na lama e os porcos nadam nos rios. Alguns preferem os mares, um dos grandes momentos do egocentrismo consumista. Oh, sombras de ilusões, sobretudo você que nada faz e só reclama. São quatro textos… Sim, quatro textos! Não importa as escadas ou os andares da fantasia. Não importa se o A vem antes do B. O ponto nodal do pensamento reluz um corpo. Tanto tempo se passaram e retornarão de maneira vertiginosa. Estava impecável! Eu me lembro bem… Cliquem, antes que uma pedra de gelo apareçam:

Universo

Lembranças (II)

Cosmos

A Dança

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fernando lemos

Dois poemas inéditos

Apresento dois poemas que estarão no meu próximo livro. O livro está em processo de conclusão e provavelmente o lançamento será no segundo semestre de 2015.

1
Sonhei que escrevia um poema
e nos versos desenhava o arrebol
dentro de mim cresciam castelos
dentro de mim nasciam árvores
na ponta do meu corpo brotavam confusões
ao norte era apenas os segredos
de uma noite ilusória
. .
Imaginei Macário a declamar os meus delírios
em cada descompasso que minhas lágrimas
ofereciam ao Anjo de Sodoma
.
Desenharei algum dia a cena que me alucina
e será a grande obra do acaso
. .
Os sonhos não receberão aplausos
não receberão um beijo
não receberão um abraço

 

 17

Foi na alvorada que a voz me trouxe o teu sorriso

o clarão dos timbres onde a presença

afaga a pele e descansa as dores

.

Sei da lamentação ao fitar a janela

tua alma tem a nitidez de um buquê de rosas

a mesma que oferece às constelações de amores

para ser sentida o teu perfume nos alvos símbolos

da natureza e do renascimento de teu sonho

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O repouso das estrelas

Estava frio. Não lembrara se ventava ou se haviam sorrisos. Parecia haver um deserto na palma da mão. Parecia haver violetas quando se aproximou. Os raios solares davam as primeiras manifestações de vida com aquela elegância que consegue ser puro e sensual ao mesmo tempo. Os cabelos estavam impecáveis em uma dose de vinho tinto. Para um lado ou para outro, disfarces e suspiros discretos. Não pode dividir a poesia por regiões, é necessário que esteja no corpo inteiro, principalmente nas zonas erógenas. Mas estava provavelmente tão frio! Oh, um flash! Era apenas um vento, nada mais. Os ventos vieram de tão longe, devem estar cansados, se ao menos estivesse em meu lar, abraçaria os seus inúmeros corações. Na capa constam dois corações, vermelhos e pequenos, mas talvez haja algum outro ou alguma pétala que se abre aos poucos. Era um tempo curto e saudosista que deixou suspiros. Foi semelhante ao álcool: prazeroso, mas queria mais. Amanhã sentistes que beijáveis? Parecia, como parecia uma pausa no destino. Uma régua no oceano que de tão pequeno não cabia todos os sentimentos. Podia ser o final de uma odisseia. Podia ser tantas coisas. Podia ser também mais um pouco. Podia ser também um pouco mais.

Ventava nas brisas dos rochedos. Muitos pássaros dançando a fuga do frio. É lá que estava o brasão do tapete mágico. Recorda-se de como é maravilhosa a sensação de transfigurar a vida para um outro ser que talvez complete a existência que jamais sentiu em outros momentos, nem mesmo numa incrível azeitona? De que te serves a obsessão de longos anos, se o presente não é um magnífico vômito? É História e esse é o papel do lorde, ser histórico.

Vi uma borboleta. Não estava confusa. Sabia. Voava. Caminhava junto com. Cantava. Encantava. Me encantava. Se encantava. Mas a borboleta tinha as asas lindas. Eram várias cores. Vermelho. Azul. Verde. Magenta. Bordô. Violeta. Suas asas evocavam a alquimia das cores. A borboleta era naquele momento uma obra de arte. Se eu a tocasse, iria afastá-la. A observei. Era uma arte precisa. As formas, as cores, os conteúdos que palpitavam todos os meus corações. São tantas emoções suscitadas com a pintura que só uma Lira pode dizer. A borboleta passou. Voou. Mas as perfurações concentradas permaneceram e foi interessante que um cometa subiu ao céu para assistir alguma coisa.

Um grito! Dois gritos! Os gritos não estavam no último volume das caixas de som de gelo. Fechou a blusa tão mimada. Foi uma surpresa. A maior supresa, essa do tamanho de um iceberg multicores de escarlate simpático, foi com a dança dos cabelos sedosos enquanto olhava – talvez – pra mim com um sorriso imenso! Meu coração explodiu dentro daquele sorriso trismegisto. E foi assim o prenúncio da louca paixão de astrolábio, cujo eletromagnetismo suspira diversos anseios.

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A tal da Cultura: Algumas reflexões

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Ontem, eu caminhei bastante a procura de alguma empresa que imprimisse apenas a capa do meu livro. Curiosamente, não encontrei nenhuma gráfica rápida que trabalha com a demanda ou da forma que eu preciso. Foi triste verificar mais uma vez que Rondonópolis é uma cidade atrasada e a medida que eu procurava, eu pensava “Vou imprimir meu livro por que? Qual a minha intenção? Como farei para o meu livro chegar até as pessoas?” Sendo a última indagação, a mais conflituosa.

Como fazer para o livro chegar até as pessoas, é uma inquietação que atinge a todos os escritores. Eu, cidadão comum, não poderia ficar de fora dessa angústia. Publicação da minha obra, posso fazê-lo a qualquer momento, o dinheiro é o de menos. O grande obstáculo é criar um público, atingir esse público e algo que muito me perturba: o preço do livro. Quero o meu livro barato, acessível, não para tornar-me popular, mas sim para utilizar a minha obra como um dispositivo de encontros e conversas.

Criar um público é algo que à primeira vista parece impossível, ainda mais quando se trata de uma poética pouco palatável: o Surrealismo. Lembro-me do meu Ensino Médio. Nas aulas de Literatura, as vanguardas europeias, foram comentadas de maneira superficial, rápida e com desdém. Não é a toa que as vanguardas são vistas como a “arte fracassada” no Brasil. Além disso, os meus professores da escola não eram leitores, conheciam pouco ou quase nada da Cultura Brasileira.

Na universidade, essa cena não é diferente. Cada professor lê apenas o que está vinculado à sua pesquisa. Quem são os professores que leem além do conteúdo de sua tese? Quem são os estudantes que leem além do que o curso exige? No meu primeiro ano na Psicologia, em 2008, lembro-me de uma aula que tive a infelicidade de ouvir: “eu não leio poesias”. Ninguém é obrigado a apreciar a poesia. No Brasil não há a cultura de apreciação de um poema, porém a tristeza em ter ouvido aquilo, foi algo diretamente pra mim, pois foi o meu primeiro contato que tive da desunião das universidades com os artistas (poetas são artistas?) e também foi a verificação de saber que é uma pessoa a menos para eu ter como aliado. Eu e minhas neuroses!

Acho que um dos fatores para a desvalorização da Literatura contemporânea nas universidades seja a fixação com os clássicos. Não se trata de negar o valor de Machado de Assis, James Joyce ou de Dostoiévski, mas torna-se um erro quando essa valorização prejudica aos novos escritores ou aos que estão há décadas tentando se impor na literatura. Torna-se um erro quando se organiza uma Mesa Redonda para discutir um livro do século XVI, quando há escritores com livros belíssimos que adorariam ser convidados para dialogar suas poéticas em um Mini-Curso. Torna-se lamentável quando uma coordenação elabora uma aula aberta sobre um tema, quando há artistas que teriam muito mais a dizer sobre o conteúdo. Considerei como lamentável, pois se essa elaboração fosse feita por um artista, essa aula aberta não seria valorizada pelo público.

Na quinta-feira, participei de um sarau denominado de “EntardeSer”. Foi um belo evento! É mais um exemplo de como a arte está distante da instituição. Professores todos distantes, assistindo as apresentações com a máxima distância possível, parecia até que era algo proibido. E realmente era. A arte tem sido quase abolida da universidade. Era algo tão proibido, que tinha uma espiã, fez um discurso no microfone e depois ficou em um canto para observar as movimentações. Movimentação do que? Denunciar se iria ocorrer outro caso de pichação? Não foi dessa vez… O sarau também mostrou que quem tem necessidade de mudança são os estudantes, ainda assim, uma mudança mirrada. As intervenções são todas morosas, nada que realmente desconstrua a instituição. O grafite (ou pichação) foi o primeiro passo para isso, seu impacto é efêmero, porém os choques de realidade que essa suscitou são para sempre. Não posso também criticar os profissionais da universidade e os estudantes. Os professores são criações da Ditatura Militar; nós, estudantes, somos criações do Neoliberalismo. Somos todos alienados.

Se há algo que me intriga também, é a apatia do curso de Letras. Parece-me que esse curso quase não existe. Acredito que esse seja o curso (na UFMT) que mais teria potencial para a criação e elaboração da arte no campus. Pergunto-me qual o motivo da letargia, por qual motivo os estudantes encontram-se alheios a apresentações culturais. Sempre cismei que nas Semanas de Letras, haveria alguma encenação de alguma obra. Mas não, tudo acontece rigidamente igual, da mesma forma que acontece em todos os outros cursos: Palestras que servem apenas para contar na carga horária.

Acho que a UFMT é apenas um sintoma do pragmatismo e do utilitarismo. Apenas o fácil acontece. Apenas o fácil é apreciado. Uma cultura impactante é ignorada. É mais fácil apreciar apresentação cover, do que prestigiar apresentação autoral. É mais fácil para um professor ser domesticado pelo sistema, do que lutar contra ele. É mais fácil aplaudir a construção de novos blocos, do que exigir um Teatro no campus.

Esse pragmatismo que assola a UFMT encontra-se em todas as localizações de Rondonópolis. Arte para que? Cultura para que?  É errôneo o  pensamento “Rondonópolis tem cultura sim”. A cidade pode até ter cultura, mas é uma cultura voltada ao Neoliberalismo, que favorece apenas os bares, os SESC’s, as chácaras ditas “alternativas” e principalmente aos políticos locais que organizam uma apresentação qualquer com uma estrutura duvidosa, apenas para comover a população. Essas cegueiras capitalistas são tão fortes, que é árduo encontrar alguém que saiba quem foram as pessoas que fizeram a História na cidade ou encontrar alguém que saiba quem são os artistas que marcam ou marcaram a cidade.

Vou imprimir meu livro por quê? Primeiro: porque eu quero. Também devido ao fato que vejo no meu livro um grande potencial de desconstruções. Pode ser autoestima exacerbada, mas quem ler Solstício ao Luar com atenção apreciará uma experiência estética que nenhum outro livro jamais o proporcionará. Agora um discurso maníaco: pois o meu livro é a minha entrada na Literatura Brasileira. De qualquer forma, quem se importa? O livro ficará empoeirado e esquecido em alguma prateleira.

Como farei para o meu livro chegar até as pessoas? O livro será barato e talvez não seja vendido em livrarias. Quero vender nas ruas, eu chegarei até as pessoas. Quem leu o livro, empresta para outro ou troca em algum sebo. Mas quem decide, não sou eu. A autonomia é do leitor

Em vista de algumas inquietações apresentadas, a persistência, paciência e insistência são palavras de ordem para mim. A literatura está nas minhas vísceras e a arte possibilita-me as mais diversas sensações. Se há esses obstáculos no caminho, desvelarei todas e a destruirei sem piedade. Nesse pouco percurso poético, já encontrei pessoas encantadoras e esses fazem a vida valer a pena. Não há culpados pelo cenário pragmático na universidade e nem em Rondonópolis. Somos todos alienados, criados para sermos mãos de obras e mal ensinados por professores que não leem. Somos todos mal informados pelas mídias oportunistas. Somos todos mal medicados pelos médicos vendidos pela indústria farmacêutica. Somos todos mal alimentados pela indústria que visa apenas viciar nosso paladar. Somos resquícios da Ditadura e do Neoliberalismo. Por isso permanecerei firme na eterna relação da Arte com a Educação, as nossas únicas fórmulas de libertação.

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Suspiros confessionais

Ainda processando a informação que servi de inspiração para uma pintura… É realmente algo inusitado, não imaginava que eu iria servir de inspiração para uma criação artística e muito menos que eu iria receber um reconhecimento de um artista de outro país.

 Ontem eu conversei no Chat com o Mauricio Díaz e ele me perguntou o que me levou ao contato de uma vanguarda que surgiu na segunda década do século XX. A minha resposta foi: “O profundo tédio que sinto em Rondonópolis”. Foi uma resposta espontânea… A cidade que ao mesmo tempo me sufoca, me oferece recursos que incita a minha capacidade criativa. Rondonópolis é uma quimera adoecida que ainda será desvelada, desconstruída e humanizada.

 Certa vez me falaram que o Museu Rosa Bororo é um “Museu do Índio”. Levei um susto ao ouvir isso. Esse museu é uma das lamentações da cidade: um apanhado de coisas organizado lá. Sem nenhum foco, sem nenhuma referência aos indígenas, um local que não desperta a curiosidade em ninguém. Há apenas uma sala média para exposições e alguns cubículos com materiais das primeiras empresas que surgiram na cidade. Esse museu está localizado no centro da cidade, em uma rua muito movimentada. Apesar de estar perto da população, está distante de nossas vidas.

 Rondonópolis é a cidade que eu tento negar, mas que sempre me acompanha. A minha relação com essa cidade é rimbaudiana.

 Certa noite etílica, acompanhado de minha futura esposa Vanusa, conversávamos sobre a minha maneira de Ser Poeta. Foi uma angústia ouvir que sou uma pessoa distante das pessoas. Mais angustiante ainda foi ouvir que sou distante até dos meus colegas de faculdade. Para ela, um poeta deve estar sempre próximo das pessoas. Não discordo! Apesar de que mesmo se eu quisesse seria impossível ser um poeta do povo, já que meus versos são difíceis de serem palatáveis. Mas caramba! Como pude deixar ficar distante de pessoas que estudam comigo desde 2011? Tentei argumentar para ela que eu sinto um profundo mal-estar por viver em Rondonópolis, mas todas as explicações eram levianas. Muitas vezes o meu silêncio não é timidez, mas sim intensos momentos de introspecção, o que também não justifica a minha distância.

 Sou aquele que não acrescenta em nada, porém também não subtrai. Apático e quixotesco sem nenhuma contribuição. “Distante” e “inacessível” talvez sejam essas as palavras que me representam hoje. Por isso me pergunto para quem eu escrevo. Um poeta escreve sempre para o Outro. No momento não há esse Outro. Escrevo para os ventos levarem algumas palavras para a eternidade, mas muitas palavras se perdem no meio do caminho, outras permanecem imóveis e outras brigam entre si. O esquecimento é o destino de todos os distantes.

No Brasil a cultura de comprar livros é incipiente, de comprar livros de poesia então, é quase inexistente. Acho que a internet construiu um novo modelo de ser poeta. A poesia deve estar na rede, e a pessoa sendo realmente um poeta. Infelizmente, isso também contribui para o estereótipo de poeta: aquele que carrega o estigma de Jesus. Não sou a favor desse paradigma. Acredito que todos os poetas sabem a sua maneira de atuação. Talvez o meu seja realmente o distanciamento e a negação do contemporâneo. Negar o contemporâneo sendo o pioneiro a lançar um livro digital em Rondonópolis? A contradição é o meu alento.

On The Road (2012)

On The Road (2012)

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Incêndio

Sempre escuto críticas sobre a Cultura no Brasil e eu gostaria muito de saber quem valoriza a cultura. Com muita frequência escuto algum músico daqui de Rondonópolis reclamando da falta de respeito com os artistas no país. Acho muito interessante e charmoso quando um artista usa o microfone para exigir melhores condições de trabalho.

A desvalorização da cultura é maior do que imaginamos e me preocupa bastante. Tenho algumas indagações, como: Monopolizar as quintas-feiras é valorizar a Cultura? Tocar sempre as mesmas músicas é respeitar o público? Organizar sarau apenas para ganhar dinheiro é pensar na cultura? Valorizar apenas os artistas que fazem parte de um selo é valorizar a arte?
Quem compra livros? Quem pega livros em bibliotecas? Quem compra livros de poesias e quando foi a última vez que comprou um? Quando foi a última vez que comprou um livro de um poeta independente?
Fico profundamente chateado com o desrespeito que o mercado literário faz com os autores clássicos. É injustificável as obras do Lord Byron não terem sido traduzidos para a língua portuguesa. Até onde sei, o idioma inglês é o mesmo há séculos, se há diferenças, são mínimas, pois essa língua não passou por intensas reformas ortográficas. Não há explicação para obras-primas byronianas como Don Juan, Cain, Sardanapalus não serem comercializadas aqui no Brasil.

Acho de péssimo gosto culpar apenas o governo pelos desrespeito com os artistas. Verifico que os restaurantes, bares, livrarias, editoras, produtoras, selos, gravadoras, museus desrespeitam às vezes muito mais.

Acho que especial não são aqueles que fazem arte, mas sim aqueles que sabem apreciar e valorizar a arte. Pessoas que sentem prazer em assistir uma apresentação, ler um livro, admirar uma pintura são raros, muitos querem apenas mostrar a sua arte.

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Para quem eu escrevo? Meus poemas são herméticos e com uma linguagem rebuscada e eu sou um poeta inacessível e distante. Quem sentirá o crepúsculo que eu desenhei no Solstício ao Luar ? Talvez eu já seja um “poeta maldito”, sei apenas que o poeta se encontra distante de seu povo.

 

“Quanta glória pressinto em meu futuro!” (Álvares de Azevedo)

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A música “Woman in Chains” provoca deliciosas sensações desconhecidas, indizíveis e indeléveis, cuja musicalidade inefável perfura muito além do coração.

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Um suspiro.

Esse mirrado século XXI me causa espanto e preocupação! Tudo vago, extremo, rápido, comercial e conflituoso. Tudo se perdeu… Conflitos sensacionalistas e desnecessários no Facebook. Discursos levianos de todas as partes. Bandeiras levantadas de modo opressoras e sufocantes. Moralismos que escondem violências por trás de imagens com falsos pressupostos sociais. Música feita de qualquer jeito. Artistas estragando hinos clássicos. Eventos culturais segregadores. Intensas desvalorizações culturais. Sarau fútil apenas para ganhar dinheiro. Sociedade cada dia mais racional e inóspita. Pessoas muito iguais, sempre voltados ao consumo. A contracultura sendo extinta, hoje só há burgueses fingindo ser diferente. A lista de desconforto é enorme e como estamos no período de Fast-Food, a leitura deve ser breve também.

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* Solstício ao Luar é o real. Eu sou a representação.

* Essa semana eu peguei na biblioteca, o livro “Magia e Técnica, Arte e Política” de Walter Benjamin. Abri o livro para ler e me deparei com o capítulo “O Surrealismo. O último instantâneo da inteligência européia”.

 

Esse poema de Mielmiczuk é muito lindo! Lembrem-se desse nome: Paulo Mielmiczuk, pois esse será um grande representante de nossa literatura.