Prólogo

Resolvi publicar alguns textos que eu escrevi em 2013. Estavam guardados dentro de uma garrafa lá no hemisfério norte. Tive que resgatá-los, pois parecia que a corda iria ser esticada se o café não fosse consumido o mais rápido possível. É necessário deixar muito claro que os peixes comem na lama e os porcos nadam nos rios. Alguns preferem os mares, um dos grandes momentos do egocentrismo consumista. Oh, sombras de ilusões, sobretudo você que nada faz e só reclama. São quatro textos… Sim, quatro textos! Não importa as escadas ou os andares da fantasia. Não importa se o A vem antes do B. O ponto nodal do pensamento reluz um corpo. Tanto tempo se passaram e retornarão de maneira vertiginosa. Estava impecável! Eu me lembro bem… Cliquem, antes que uma pedra de gelo apareçam:

Universo

Lembranças (II)

Cosmos

A Dança

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fernando lemos

“Alegrai-vos no Senhor”: a igreja contra o bem-estar social

Recentemente, ocorreu o evento “7º Alegrai-vos no Senhor” – evento evangelístico organizado pela Igreja Assembleia de Deus de Rondonópolis –, em duas etapas, sendo a segunda etapa do evento realizada entre os dias 14 e 17 de fevereiro na Avenida Amazonas.

Segundo os noticiários, o “Alegrai-vos” é uma opção para as pessoas que não querem participar do Carnaval. Para isso acontecer, a igreja fecha a Avenida Amazonas, prejudicando os moradores daquela região e as pessoas que precisam circular naquela área da cidade.

Tudo indica que o “Alegrai-vos” está acima de nossa Constituição e a Prefeitura e a Secretaria de Trânsito fecham os olhos para esse tipo de excesso. Com isso, torna-se necessário lembrar os realizadores do evento e o poder público de que Rondonópolis é um município também regido pela Constituição, o que faz nossa cidade estar inserida no Estado laico.

Fechar a rua para um evento religioso fere os direitos dos cidadãos ao impossibilitá-los de ir e vir em sua rua e de estarem na tranquilidade de seus lares sem as pregações de uma religião da qual não fazem parte, o que configura a festa em um evento opressor.

Não se deve argumentar que tal evento serve para contribuir com a palavra e o nome de Deus, uma vez que o bem-estar social é quando há respeito pelas diferentes crenças (em nosso município, há representantes de diversas outras religiões, bem como há pessoas que não pertencem a nenhuma). Onde está o direito do cidadão, quando um evento reprime a população, jogando “goela abaixo” o fechamento de uma rua?

Então, o desrespeito que a igreja comete em relação aos princípios básicos da democracia, por conta da realização daquele evento, não pode ser ignorado e nem justificado de maneira covarde, alegando-se que é em nome de Deus. Tenho certeza de que este texto será um pequeno passo para que, nos próximos anos, os nossos “representantes” não fechem os olhos diante dessa ação, e para que o povo não se silencie com essa atitude da igreja Assembleia de Deus.

Dois poemas inéditos

Apresento dois poemas que estarão no meu próximo livro. O livro está em processo de conclusão e provavelmente o lançamento será no segundo semestre de 2015.

1
Sonhei que escrevia um poema
e nos versos desenhava o arrebol
dentro de mim cresciam castelos
dentro de mim nasciam árvores
na ponta do meu corpo brotavam confusões
ao norte era apenas os segredos
de uma noite ilusória
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Imaginei Macário a declamar os meus delírios
em cada descompasso que minhas lágrimas
ofereciam ao Anjo de Sodoma
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Desenharei algum dia a cena que me alucina
e será a grande obra do acaso
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Os sonhos não receberão aplausos
não receberão um beijo
não receberão um abraço

 

 17

Foi na alvorada que a voz me trouxe o teu sorriso

o clarão dos timbres onde a presença

afaga a pele e descansa as dores

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Sei da lamentação ao fitar a janela

tua alma tem a nitidez de um buquê de rosas

a mesma que oferece às constelações de amores

para ser sentida o teu perfume nos alvos símbolos

da natureza e do renascimento de teu sonho

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Mais Solstício ao Luar

É com muito orgulho que convido a todos para participar no dia 04 de novembro às 19:30 (pontualmente) no Espaço Cultural do Sesc Rondonópolis, da Noite de Lançamento de “Solstício ao Luar”. Conto com a presença de todos, será muito lindo! Vou declamar meus poemas e ainda teremos um belíssimo buffet. Estejam em Rondonópolis nessa data para juntos, dissolvermos a realidade.

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Fotos e vídeos do lançamento em Cuiabá

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Lançamento de “Solstício ao Luar” e “Porta Estreita”, de Joe Sales, em Cuiabá. Na noite de estreia, declamei os poemas Escarro Primaveral, Vinho Pálido, Memória Noturna e Pulsação Versátil. Foi muito legal!! Muito obrigado a todos que foram.

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Noite poética

Minha primeira apresentação em Cáceres. Declamei “Memória Noturna” (com uma pequena licença poética) e “Âmago Sinfônico”. Na sequência, participação da poetisa Ana Mafalda com a leitura de “Antropofagia Cotidiana”.

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Convido a todos para participar da noite de lançamento dos livros Porta Estreita, de Joe Sales, e o meu, Solstício ao Luar. No dia 16 de setembro, às 19h30min, na sala M no Instituto de Linguagens (UFMT) em Cuiabá.

https://www.facebook.com/events/1510220682556318/

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Branco ou Tinto ou o Sujeito ressentido

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Em dezembro de 2013, a banda Branco ou Tinto (B.O.T.) lançou o seu novo álbum intitulado de “50 segundos”, que conta com o total de dez canções. Composta por Welliton Moraes no vocal e guitarra, Marcus Tubarão na Bateria e Thiago Araújo no baixo, a banda traz a melodia combinada com a literariedade das letras que possibilitam ao ouvinte explorar diversas sensações.

Sou um fã da banda e as músicas do novo álbum provocam-me sensações que até hoje ainda não sou capaz de compreender. Por ser um admirador de B.O.T., decidi compartilhar com os leitores uma nova possibilidade de interpretar as músicas. Assim, ao ler as letras com mais atenção, percebi a presença do ressentimento em todas as músicas, porém, para esta resenha, o meu foco está nas canções de títulos provocativos: Presente de Grego e O Amor Caiu em Desuso.

Sendo o ressentimento uma mágoa nunca superada ou esquecida de algum prejuízo real ou não, deflagra-se o processo de vitimização e o ressentido, diante de sua certeza de superioridade moral, passa a sofrer silenciosamente. Nos estudos sobre o ressentimento de Kehl como referência, Izabel Cruz, afirma que o ressentido não deseja vingança e, sim, a justiça, pois a certeza de sua pureza moral impede-o de assumir um desejo de vingança ou se comprazer nele. A vingança dissolveria o processo de culpabilização e acusação do outro, porém, o ressentimento é o afeto próprio daquele que nunca se vinga e por isso mesmo a chama do ressentimento permanece sempre acesa, alimentada pelo ódio secreto que se manifesta em forma de lamentos sem fim.

Nessa perspectiva, ao ouvirmos Presente de Grego, deparamo-nos com as indagações que explicitam as definições de ressentimento: “Toda essa raiva aqui dentro vai passar?”, “Enxugue essas lágrimas falsas porque eu não posso mais te esperar”, “Já me feri o bastante e não tenho uma gota sequer pra sangrar”. Qual seria então o Presente de Grego, já que a letra manifesta um sujeito que no auge de seu mal-estar, expressa a sua dor íntima com o máximo exagero? Acredito que esse “presente” seja a eterna ruminação das dores que um outro causou e que, por isso, a salvação e a busca tornaram-se impossíveis.

Os questionamentos nas letras de O Amor Caiu em Desuso são semelhantes ao que já foi desvelado. Salvo a exceção dos versos perturbadores: “Pra que nos preocuparmos? Se nem mesmo a miséria ou as tragédias não chocam mais” em seguida do refrão: “Eu acho que o amor caiu em desuso”. No conforto do lugar da queixa, o ressentido goza com as acusações e da não luta de superar o mal que lhe foi feito. Todas as tragédias chocam, porém, o sujeito da música não as percebe por causa de seu egocentrismo de não ter a sua dor no centro do universo. Não compreende também que o amor não está fora de moda, apenas mudou as suas maneiras de representação.

Então, o Rock’n’Roll de B.O.T. proporciona muito mais do que momentos especiais. As músicas, além de nos fazerem sentir as ressonâncias no coração, ainda apresentam questões para estudos e compreensão da Cultura. Em manifestação artística, as canções selecionadas proporcionaram-me reflexões para aprofundar os conteúdos que aguardavam um novo sentido ou interpretação.